Segundo ele, a tecnologia facilitou o acesso à música, mas também tornou a disputa pela atenção do público muito mais intensa.
Quando Ricardo Carreras fundou a Aliança, em 1994, o cenário da música era completamente diferente. Na época, fitas K7, CDs e lojas físicas dominavam o mercado. Mais de 30 anos depois, o executivo viu a indústria passar por uma verdadeira revolução digital e ajudou a transformar a empresa na atual Musile Records, uma das maiores referências da música cristã no Brasil.
A experiência acumulada ao longo dessas décadas foi tema de sua participação no Rio2C, um dos principais eventos de criatividade e inovação da América Latina. Durante o painel “Encontros de Selos: Dicas de Sobrevivência e Sucesso dos Independentes”, Carreras compartilhou reflexões sobre os desafios de construir uma carreira artística em um mercado cada vez mais competitivo.
Segundo ele, a tecnologia facilitou o acesso à música, mas também tornou a disputa pela atenção do público muito mais intensa.
“Hoje o desafio é conquistar atenção, criar relevância e construir relacionamento com a audiência. A tecnologia democratizou o acesso, mas também aumentou enormemente a concorrência”, afirma.
1. Pare de pensar apenas no próximo lançamento
Para Ricardo Carreras, muitos artistas cometem o erro de tratar cada música como um acontecimento isolado.
Na visão do executivo, os profissionais que alcançam resultados consistentes são aqueles que enxergam cada lançamento como parte de uma construção maior, focada no desenvolvimento da carreira ao longo dos anos.
2. Visualizações não são tudo
Em um cenário dominado por números e métricas, Carreras alerta que alcance e relacionamento são coisas diferentes.
Embora um vídeo viral possa gerar milhões de visualizações, é a comunidade de fãs que sustenta uma carreira no longo prazo. Para ele, criar conexões reais com o público continua sendo um dos ativos mais valiosos da indústria musical.
3. Consistência continua sendo um diferencial
O executivo acredita que talento sozinho não garante permanência no mercado.
Segundo ele, artistas que mantêm uma rotina constante de aprendizado, evolução e presença acabam construindo trajetórias mais sólidas do que aqueles que dependem apenas de momentos de destaque.
4. Música também é negócio
Além da criatividade, Carreras destaca a importância de compreender o funcionamento da indústria.
Marketing, direitos autorais, plataformas digitais, análise de dados e posicionamento de marca são áreas que, segundo ele, fazem parte da realidade de qualquer artista que deseja crescer profissionalmente.
5. As parcerias certas aceleram o crescimento
Outro aprendizado compartilhado pelo executivo envolve a importância de escolher bem as pessoas que fazem parte da jornada.
Para ele, nenhuma carreira relevante é construída de forma isolada. Estar cercado de profissionais, empresas e parceiros alinhados aos mesmos valores pode evitar erros e acelerar o desenvolvimento artístico.
A música mudou, mas alguns princípios continuam os mesmos
Atualmente, a Musile Records reúne artistas como Julia Vitória, Rachel Novaes, Bruna Olly, Esther Durán e Lis Avancini, acompanhando de perto as transformações do consumo musical na era digital.
Após testemunhar a passagem das fitas K7 para as plataformas de streaming, Ricardo Carreras acredita que o sucesso depende cada vez menos de fórmulas prontas e cada vez mais da capacidade de construir audiência, gerar valor e manter uma relação verdadeira com o público.




