Nesse sábado (11/04) está chegando mais uma edição da Trevozinha e dessa vez é o volume 5. Muitos leitores sempre pediram dicas de passeios, festas e shows e hoje viemos apresentar esse evento para vocês conforme solicitado, perguntaram bastante sobre a edição passada que foi um sucesso, resolvemos fazer uma entrevista com o Dani Prince um dos criadores da festa e que foi muito receptivo, bacana conosco.

Antes de irmos para entrevista deixaremos algumas informações importantes e detalhadas, para quem fará a compra do ingresso ele está disponível no site ou app oficial da SHOTGUN e vocês ganham desconto utilizando o cupom NIGHTMARE.
LINEUP
Christian Anubis (GothPride);
Dani Prince;
Duuni;
FuneBryne;
Leandro Filth;
Lore!;
PitchDark;
Triffs.
O que toca?
Post-Punk;
DarkWave;
Gothic Rock;
DeathRock;
Synth;
New Wave;
JRock;
NuMetal;
Industrial;
Gothic Metal;
Alt Rock;
JRock;
EBM;
Entre outros.
Horário: 21h50 às 5h.
Endereço: Redoma Bexiga – Rua Treze de Maio, 825 A – Bela Vista, São Paulo – SP, 01326-010.
A seguir o trecho da Entrevista com Dani Prince

1. Como surgiu a ideia de criar a Trevoza?
A Trevoza nasceu de uma percepção bem simples… muita gente gostava de estética sombria, música gótica e coisas adjacentes, mas não se sentia totalmente bem-vinda em alguns espaços da própria cena. Especialmente mulheres, pessoas LGBTQIAP+, gente mais jovem ou até, por incrível que pareça, quem tinha visões mais progressistas.
Quem estava envolvido na criação da festa começou a perceber uma hostilidade, às vezes velada, às vezes bem explícita, com relação a esses recortes que não fazia muito sentido dentro de uma subcultura que historicamente sempre celebrou o estranho, o outsider e a liberdade de expressão.Daí veio a primeira fagulha: e se a gente criasse um espaço onde o gótico pudesse existir sem medo de gatekeep?
Musicalmente e visualmente, o gótico sempre dialogou com várias outras estéticas sombrias, mas às vezes esses encontros ficavam meio travados. A Trevoza resolveu abraçar isso sem medo: post-punk, darkwave, EBM e industrial convivem com indie, emo, dark pop, gothic metal e outras coisas que orbitam esse universo.
E foi daí que surgiu o próprio nome da festa. “Trevoza” que vem daquele comentário clássico de gente meio Tr00 das ideia: “isso não é gótico… isso é trevoso…” então a gente simplesmente resolveu assumir o termo como identidade da festa.
2. Existe um público específico que vocês pensam quando organizam o evento?
A festa foi pensada para pessoas que gostam de estética sombria mas não querem passar por um ritual de aprovação para pertencer à cena, mais que um público específico, a gente pensa em criar um ambiente onde as pessoas possam se sentir à vontade.Logo de cara na identidade da festa existe um posicionamento. “TrevozA”, no feminino, a linguagem mais queer, o uso abundante de rosa e claro o “Z” no lugar do “S” tudo pra marcar esse lado camp do gótico. A festa também sempre teve ações afirmativas, como lista trans e uma line-up com maioria feminina e LGBTQIAP+.
Mas isso não significa que a festa é exclusiva para um grupo. A gente foi percebendo que nosso público acaba sendo uma mistura muito interessante desde góticos mais “trad” até gente queer, vk, fãs de numetal, emos… e até mesmo aquele “normies” que só foi pra acompanhar um amigo e acabou se rendendo aos encantos da Trevoza. A ideia é que a gente não pede carteirinha, nem da carteirada, só pede que respeite quem tá na festa e se divirta.
3. Como você espera que o evento impacte o público ou a cena?
A gente não tem a pretensão de ser “a maior festa gótica” ou de competir com outras festas da cena, na real a gente nem se propões a ser puramente gótica… a gente é trevosa hahaha. Mas pra a além disso existe da nossa parte muito respeito por quem mantém o gótico underground vivo há décadas.
O que nós realmente tentamos fazer é criar mais espaço dentro desse universo, mostrando que o gótico consegue dialogar muito bem com outras estéticas sombrias, tanto no som quanto no visual.
Por isso a Trevoza acabou se aproximando também de um circuito mais amplo de festas alternativas em São Paulo, com uma linguagem visual e uma forma de divulgação mais alinhada com esse cenário.No fim das contas, o impacto que a gente espera não vai muito além de ter mais gente se sentindo confortável em ocupar esse universo, o que na minha singela opinião parece bom pra todos, afinal, no final do dia o que mantém a cena viva são as pessoas.
E aquelas, se na Trevoza você se sentir livre pra se vestir como quer, dançar, cantar, beijar e existir sem julgamento, já valeu por todos os perrengues deliciosos que a gente passa produzindo cada edição.
4. A ideia é manter em um local específico ou levar para outras casas em SP também?
A Trevoza sempre foi uma festa meio nomade. Cada edição acaba encontrando uma casa que combina com a proposta e temática daquele momento, claro que temos nossas casas temáticas preferidas para onde sempre retornamos, mas vai depender se a gente quer um clima mais intimista, espaço maior, duas pistas… tudo vai depender do que a gente pensou pro tema daquela edição.
E isso também ajuda a festa a dialogar com diferentes públicos e circuitos dentro da cidade. Então a ideia é continuar explorando espaços diferentes conforme os projetos vão surgindo.
5. E quais diferenças você sentiu nas últimas edições?
Talvez a principal mudança tenha sido perceber que a Trevoza virou um espaço de identificação para muita gente, no começo rolou uma coisa até meio experimental, a gente testou bastante coisa inclusive dentro do que era praticado fora do circuito mais tradicionalmente gótico, justamente por que a gente queria se arriscar pra entender o que esse nosso público queria e, a partir disso, descobrir o que poderia funcionar e até onde daria pra ir.
Hoje a gente se aproxima mais de um formato que encaixa com a comunidade em volta da festa. Pessoas que acompanham as edições, que entendem o humor da Trevoza, curtem o que toca, as ativações a vibe e que até usam o boton “Eu sou Trevoza” como um manifesto de identidade.
E isso é muito bonito de ver sabe? Uma festa que nasceu como uma provocação acabou virando um lugar onde muita gente se sente em casa.




